O que parece
Uma façanha notável.
Perder-se normalmente exige uma floresta, uma cidade desconhecida, uma estrada sem placas.
Aqui basta um copo d’água.
Poucos centímetros de diâmetro. Saída praticamente em toda parte.
E, ainda assim, de algum modo conseguimos.
O que é
É o talento de transformar uma dificuldade minúscula num problema muito maior do que ela realmente é.
Não porque falte uma solução. Pelo contrário: muitas vezes a solução está ali, evidente.
Mas antes é preciso considerar todas as alternativas, imaginar o que pode dar errado, pedir uma opinião, mudar de ideia, voltar à primeira hipótese e, se possível, envolver alguém que até então nem sabia que existia um problema.
Nesse ponto, o copo virou um oceano.
A cena
— Hai prenotato il ristorante? — No, perché prima dobbiamo capire a che ora arrivano loro. — Arrivano alle otto. — Sì, ma magari sono in ritardo. — Allora prenota alle otto e mezza. — Eh, però se arrivano puntuali? — Prenota alle otto. — Ma poi dobbiamo parcheggiare. — C’è il parcheggio davanti. — Sì, però magari è pieno.
Pausa.
— Senti, facciamo una cosa: mangiamo a casa.
A chave de leitura
O problema não é o copo. É tudo o que conseguimos colocar dentro dele.
Perdersi in un bicchier d’acqua é usado quando alguém trava diante de algo simples, multiplicando dúvidas, etapas e complicações até perder de vista a solução mais óbvia.
É uma expressão irônica, muitas vezes carinhosa, às vezes exasperada.
Porque, visto de fora, a saída é claríssima.
De dentro, evidentemente, um pouco menos.
