O que parece
Uma pergunta.
Alguém quer saber como você está.
Saúde, trabalho, família, humor: come va?
Uma pergunta simples, que deveria ter uma resposta igualmente simples.
O que significa
Muitas vezes, um cumprimento com ponto de interrogação.
Come va? pode ser uma pergunta sincera, claro. Mas também pode querer dizer apenas: Eu vi você. Reconheço você. Estou sendo simpático. Podemos começar a conversar.
Por isso existe uma resposta italiana quase perfeita: “Bene, dai.”
Como funciona de verdade
A obra-prima está toda naquele dai.
Bene significa que está tudo bem. Bene, dai significa algo como: podemos razoavelmente declarar que está tudo bem sem entrar muito nos detalhes.
Não é preciso que esteja realmente tudo bem. O trabalho pode estar um desastre. Você dormiu cinco horas. O carro começou a fazer um barulho novo. Seu filho está com febre. E você ainda tenta entender por que o banco cobrou 38 euros.
Mas você está aí. Funcionando. Bene, dai.
“Benissimo!”
Está realmente ótimo. Ou você quer muito que a gente acredite nisso.
“Bene.”
Bem.
“Bene, dai.”
A enorme zona intermediária da existência italiana.
“Insomma…”
Cuidado: a pergunta pode virar uma conversa de verdade.
“Lascia perdere.”
Você perguntou. Agora assuma as consequências.
Come va? tem uma característica importante: você nunca sabe ao certo se está conversando ou apenas cumprimentando alguém. A resposta é que decide.
A chave de leitura
Na Itália, perguntar Come va? não significa necessariamente querer um relatório completo de como as coisas estão.
Significa sobretudo deixar que a outra pessoa decida quanto quer contar.
Ela pode responder bene e seguir em frente. Pode acrescentar aquele providencial dai e informar que a situação está sob controle, pelo menos oficialmente. Ou pode parar, fazer uma certa cara e dizer: “Eh…”
Nesse momento, tudo mudou. A porta que estava entreaberta se abriu.
Talvez seja essa a verdadeira função de Come va?: não exige intimidade, mas torna a intimidade possível.
E Bene, dai permite exatamente o contrário: encerrar o assunto com elegância sem propriamente mentir.
Não é otimismo. É manutenção de rotina da existência.
